terça-feira, 15 de março de 2011

Revoltas chega na Líbia

Onda de revolta chega à Líbia e ao Iraque e ganha força no Irã, Iêmen e Bahrein
France Presse
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DUBAI, 16 Fev 2011 (AFP) -Os protestos que abalam o mundo muçulmano desde as revoltas na Tunísia e Egito chegaram à Líbia e aumentaram as tensões nesta quarta-feira no Irã, em Bahrein e Iêmen.

No Iêmen, duas pessoas morreram vítimas de tiros disparados pela polícia em Aden e pelo menos outras duas ficaram feridas durante um protesto nesta cidade do sul do país.

Uma delas ficara gravemente ferida anteriormente por disparos da polícia de choque durante uma concentração.

Os manifestantes tomaram de assalto a sede da subprefeitura de Mansura, um dos bairros de Aden, e incendiaram quatro veículos. As forças de segurança atiraram para dispersar os manifestantes, que responderam atirando pedras contra os policiais.

Em Sanaa, a capital, milhares de estudantes e advogados gritavam "Depois de Mubarak, Ali", em referência o presidente Ali Abdullah Saleh, que está no poder há 32 anos.

Os manifestantes tentaram chegar à praça Tahrir (Libertação), que tem o mesmo nome da praça do Cairo, epicentro da revolução, mas as forças de segurança impediram o avanço.

Centenas de partidários do partido Congresso Popular Geral (CPG, no poder) atacaram os manifestantes com cassetetes, facas e pedras.

O protesto foi organizado por estudantes e integrantes da sociedade civil. A oposição parlamentar, que decidiu retomar o diálogo com o regime, não participou.

Em Taez, ao sul da capital, milhares de manifestantes pediram mudança de regime e oito pessoas ficaram feridas quando a polícia dispersou o protesto, segundo testemunhas.

No Irã, a oposição reformista conseguiu organizar na segunda-feira a primeira manifestação contra o governo em um ano em Teerã, apesar das advertências das autoridades, que proibiram qualquer protesto e mobilizaram amplamente as forças de segurança.

Em resposta, o regime iraniano convocou um dia "de ódio e ira" para a sexta-feira contra a sublevação dos chefes da oposição Mir Hussein Mousavi e Mehdi Karubi, num momento em que se multiplicam os chamados para que estes sejam castigados pelos protestos de segunda-feira contra o governo.

Em Bahrein, apesar da proibição, milhares de pessoas voltaram a protestar contra o governo durante o enterro em Manama de um estudante morto na véspera durante um protesto.

Mais de 2.000 pessoas participaram do funeral de Fadel Salman Matruk, baleado durante um protesto, em frente ao hospital onde era velado outro manifestante xiita morto.

"O povo quer derrubar o regime", gritavam os manifestantes, retomando slogans das revoltas que já derrubaram regimes autoritários de Tunísia e Egito.

O ministro do Interior, xeque Rashed bin Abdullah Al Khalifa, apresentou nesta quarta-feira desculpas e anunciou a prisão de dois policiais das forças de segurança.

Mas o xeque Ali Salman, líder da oposição xiita, não se deu por satisfeito com esses gestos e pediu uma "monarquia constitucional"com um primeiro-ministro "eleito pelo povo".

No entanto, centenas de pessoas protestaram em várias cidades xiitas, onde os confrontos deixaram ao menos um ferido, segundo Ministério do Interior e testemunhas.

O Iraque também viveu nesta quarta-feira o dia mais violento desde o início dos protestos há duas semanas, com a morte de um jovem manifestante ao sul de Bagdá. A multidão, enfurecida, incendiou edifícios públicos em protesto contra a ausência de serviços públicos.

Na Argélia, onde uma passeata proibida pelo governo enfrentou em 12 de fevereiro um grande dispositivo de segurança, uma nova manifestação está prevista para o próximo sábado.

Na Líbia, onde foi convocado para quinta-feira um "dia de ira", segundo os chamados lançados através do Facebook, as autoridades libertaram nesta quarta-feira 110 islamitas do Grupo Islâmico de Combate Líbio (GICL), o que soma um total de mais de 360 "prisioneiros políticos" libertados desde março.

O GICL reafirmou em 2007 sua determinação de derrubar o regime de Muamar Kadafi para substituí-lo por um Estado islâmico radical. Depois declarou fazer parte da rede Al-Qaeda.

No Egito, o ministro da Saúde, Sameh Farid, afirmou que 365 pessoas morreram e outras 5.500 ficaram feridas durante os 18 dias de manifestações que terminaram com a queda do presidente Hosni Mubarak.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Aumento Vergonhoso

Em cinco minutos deputados e senadores aprovam o aumento do seu próprio salário, em mais de 100%. Salário este pago pelo povo que trabalham mais de 08 horas diárias e mais de 40 horas semanais, que recebem muito pouco, para manter um estado corrupto, com políticos sem a preocupação de melhorar a qualidade de vida do povo mais sim a sua própria vida, que faz do ato de representar o povo no estado uma verdadeira carreira profissional, onde os únicos ganhadores são os seus bolsos.
Já o salário mínimo recebido pela grande maioria da população brasileira, demorou mais de 10 horas de votação para aumentar de R$ 510,00 para R$ 545,00, um aumento de menos de 10%.
Na certa este aumento de R$ 35,00 ao salário do povo, não podia ser maior já que os parlamentares já estão recebendo agora mais de R$ 26.000,00 por mês para trabalhar menos de 08 horas diárias e apenas dois ou três dias na semana.
Aumentar o salário do povo mais de 100% não seria a maneira mais certa de assim merecer um aumento de 10%, já que os parlamentares ganhavam mais de R$ 16.000,00 antes deste vergonhoso aumento?



Monique Renne/CB/D.A Press




Parlamentares durante votação na Câmara que garantiu vitória do governo na aprovação do valor de R$ 545 para o salário mínimo em 2011.

Governo mostra força e aprova mínimo de R$ 545
Ivan Iunes - Do Correio Braziliense
Denise Rothenburg - Do Correio Braziliense
17/02/2011 11:40
O governo passou com sucesso ontem pelo primeiro grande teste de força no Congresso com a aprovação do novo salário mínimo, de R$ 545. Mesmo com a previsão de vitória por ampla vantagem, o Palácio do Planalto colocou sobre a mesa todas as cartas disponíveis para enquadrar a base aliada. Ameaças de retaliações, nomeações do segundo escalão em pauta e até a presença do vice-presidente da República, Michel Temer, para laçar o PMDB, foram algumas das estratégias empregadas para garantir a aprovação do piso sem sustos, em sessão que durou mais de 10 horas.

A demonstração de força da caneta presidencial teve o primeiro ato com o anúncio de que a bancada do PDT não fecharia questão em torno do mínimo de R$ 560, articulado pelas centrais sindicais. Os pedetistas atenderam ao apelo do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, presidente licenciado da legenda, que chegou a ser enquadrado pela presidente Dilma Rousseff e teve de se colocar na linha de frente em defesa do piso governista. Ele ligou para todos os deputados da sigla e pediu aos irredutíveis que não criassem embaraços para o governo. Acabou dissuadindo os correligionários e ganhou pontos com o Planalto.

Domado o PDT, foi a vez de Temer ir à reunião da bancada do PMDB para afastar qualquer ameaça de dissidências, enquanto o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), cobrava uma demonstração de união. Até governadores e prefeitos foram acionados. O maior receio dos peemedebistas era dar ao governo Dilma menos votos que o PT. O PT, ao perceber a movimentação dos peemedebistas, de inclusive trocar suplentes por titulares, enviou o seu presidente, José Eduardo Dutra, ao plenário da Câmara. Ele ficou até o fim da sessão para garantir a fidelidade do partido. “Vigiai e orai”, resumiu Dutra.

Diante da derrota iminente, a oposição jogou a toalha antes mesmo da votação, e acusou o governo federal de interferir nos assuntos legislativos. “É o imperialismo de Dilma. Ela diz que quem não votar não terá cargos. É lamentável”, disparou o líder do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA). Dissidente da bancada governista, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) jogou para o Senado a expectativa de um mínimo superior ao defendido pela equipe econômica do Planalto. “É muito difícil ganhar do governo. Eles estão distribuindo cargos e ameaçando tirar emendas”, reclamou o deputado.

Em plenário, a estratégia de colocar o ex-sindicalista Vicentinho (PT-SP) para relatar a matéria acabou não surtindo o efeito planejado. Em vez de constranger possíveis manifestações das centrais sindicais, a presença dele acabou incentivando as vaias. O deputado foi interrompido por mais de uma vez e, ao anunciar a aprovação do relatório, a algazarra nas galerias foi generalizada. “Essas vaias vão se transformar em aplauso quando o mínimo chegar a R$ 616 daqui a 10 meses”, desafiou Vicentinho. Agora o projeto segue para o Senado. A previsão é que seja votado na próxima quarta-feira.

Câmara aprova urgência para aumento de salário de parlamentares
Valor de R$ 26,7 mil seria também para presidente, vice-presidente e ministros.
Atualmente, parlamentares recebem R$ 16,5 mil e presidente R$ 11,4 mil.
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (15/01) o regime de urgência para a tramitação do projeto que eleva para R$ 26,7 mil o salário dos parlamentares, do presidente, do vice e dos ministros de estado a partir de 1º de fevereiro de 2011.
Pela proposta, os deputados e senadores teriam um reajuste de 61,8%, uma vez que recebem atualmente R$ 16,5 mil. No caso do presidente da República e do vice, o reajuste seria de 133,9%. Atualmente, o presidente recebe R$ 11,4 mil. O aumento dos ministros seria maior ainda, uma vez que eles recebem atualmente R$ 10,7 mil.
Os parlamentares, o presidente, o vice e os ministros estão sem reajuste desde 2007. A inflação no período, porém, foi inferior a 20%.

Parlamentares aprovam rapidamente aumento salarial de 61,8%
R$ 26.723. Esse é o novo salário dos deputados, senadores, presidente da República e ministros de Estado. O aumento foi aprovado nesta quarta-feira em Brasília
Do G1 em Brasília
"Cheguei num dia bom, tô com sorte". O deputado eleito Francisco Everardo, mais conhecido como o palhaço Tiririca, se referia ao aumento de salário dos políticos aprovado nesta quarta-feira pelo Congresso. Primeiro, foi a Câmara. O reajuste dos parlamentares foi de 61,8%.

“Não é constrangedor, porque eu tenho a consciência do dever cumprido e os deputados que trabalham, os servidores que trabalham, merecem ser bem remunerados", afirma o deputado Paulo Magalhães, do DEM-BA.

A partir de 1º de fevereiro, deputados, senadores, presidente da República, vice e ministros passam a ganhar o mesmo salário de ministro do Supremo Tribunal Federal: R$ 26.723. Hoje, deputado e senador ganham R$ 16.500, presidente, R$ 11.400, e ministros, pouco mais de R$ 10.700.

Assim que foi votado na Câmara, o projeto veio imediatamente para o Senado e, em pouco mais de cinco minutos, o aumento também foi aprovado na casa. O último reajuste foi em 2007.

“Será muito elevada? É uma remuneração, avalio, condizente com a responsabilidade dos senadores e deputados", diz o senador Eduardo Suplicy, do PT-SP.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pilhas e baterias usadas devem ter destino especial

Pilhas e baterias usadas devem ter destino especial

Kirna Mota Nascimento - Redação Saúde Plena


Pilhas e baterias usadas são classificadas como lixo perigoso, mas ao contrário do que se pensa, elas não emitem radioatividade. Omaior problema são as pilhas fabricadas com grandes quantidades de metais pesados como cádmio, mercúrio, chumbo e seus compostos. Essas substâncias são altamente tóxicas - algumas até cancerígenas, de efeito cumulativo no organismo - e, dependendo da concentração, podem causar, a longo prazo, complicações respiratórias e renais.

Misturadas ao lixo doméstico em aterros comuns, elas contaminam o solo, lençóis de água subterrâneos e lavouras.

Vale ressaltar que essa situação melhorou um pouco nos últimos anos, pois vêm sendo produzidas pilhas com menores concentrações desses metais - como as alcalinas, cujos resíduos são bem menos tóxicos para o ambiente, além da população estar se conscientizando do problema.

Existe uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), em vigor desde julho de 2000, que estabelece como responsabilidade dos fabricantes e importadores a coleta de pilhas usadas, para que tenham destinação adequada: aterros industriais especiais para resíduos químicos perigosos.

Esses aterros consistem de valas com diversas camadas de impermeabilização para evitar vazamentos. São também equipados com sistemas de tratamento para gases e líquidos. Mas, apesar da resolução do Conama, pouquíssimos pontos de coleta de pilhas foram instalados no país.

Cabe a população cobrar do Conama uma maior fiscalização, além de pressionar os fabricantes de pilhas e baterias a darem o destino correto aos produtos. O consumidor tem o maior poder nessa missão, pois ele pode escolher comprar apenas de empresas conscientes.

segunda-feira, 22 de março de 2010

O dia mundial da água.




O Dia Mundial da Água foi criado pela ONU no dia 22 de março de 1992. O dia 22 de março, de cada ano, é destinado a discussão sobre os diversos temas relacionadas a este importante bem natural.

Vamos despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água. Mas como devemos comemorar esta importante data? Não só neste dia, mas também nos outros 364 dias do ano, precisamos tomar atitudes em nosso dia-a-dia que colaborem para a preservação e economia deste bem natural.

Sugestões não faltam: não jogar lixo nos rios e lagos; economizar água nas atividades cotidianas (banho, escovação de dentes, lavagem de louças etc); reutilizar a água em diversas situações; respeitar as regiões de mananciais e divulgar idéias ecológicas para amigos, parentes e outras pessoas.

O filme, A historias das coisas.

A história das coisas - The Story of Stuff - é um filme disponível na internet e conta com uma grande popularidade na web. O pequeno vídeo de pouco mais de 21 minutos faz uma crítica sob o sistema capitalista e os efeitos do consumismo desmedido nas sociedades e no planeta.
Ele coloca de uma maneira muito lúdica e clara com uma linguagem bem acessível o grande erro da sociedade moderna - achar que nosso planeta é capaz de fornecer ao nosso sistema produtivo e ao nosso modo de vida todos os recursos que precisamos indefinidade. Ele mostra como nós, consumidores, contribuímos para criar um sistema econômico totalmente insustentável, e as conseqüências desastrosas que isso tem causado à sociedade e ao planeta.
Da extração, produção até a distribuição, a cadeia produtiva afeta nossas vidas de uma maneira que poucos de nós percebemos. A história das coisas é um alerta, tenta nos dar um visão geral, tenta nos conscientizar a respeito do problema e de como novos conceitos como sustentabilidade e energia renovável, podem ajudar a mudar esse quadro lastimável causado por nós mesmos. Segundo o site oficial, o vídeo já foi assistido por mais 6 milhões de pessoas em mais de 200 países!

Cuba e Israel e os Direitos Humanos

DEBATE ABERTO
Cuba, Israel e a dupla moral
Ao contrário do que ocorreu em relação a Cuba, não há uma só matéria ou discurso relevante, nos veículos de imprensa mais destacados do país, sobre como Israel, novo destino do presidente brasileiro, trata seus presos, suas minorias nacionais e seus vizinhos.
Breno Altman
Tem sido educativo acompanhar, nos últimos dias, a cobertura internacional dos meios de comunicação, além da atitude de determinadas lideranças e intelectuais. Para quem quiser conhecer o caráter e os interesses a que servem alguns atores da vida política e cultural, vale a pena prestar atenção ao noticiário recente sobre Cuba e Israel.

Na semana passada, em função de declarações do presidente Lula defendendo a autodeterminação da Justiça cubana, orquestrou-se vasta campanha de denúncias contra suposto desrespeito aos direitos humanos na ilha caribenha. Mas não há uma só matéria ou discurso relevante, nos veículos mais destacados, sobre como Israel, novo destino do presidente brasileiro, trata seus presos, suas minorias nacionais e seus vizinhos.

Vamos aos fatos. No caso cubano, Orlando Zapata, um pretenso “dissidente” em greve de fome po r melhores condições carcerárias, preso e condenado por delitos comuns, foi atendido em um hospital público por ordem do governo, mas não resistiu e veio a falecer. Não há acusação de tortura ou execução extralegal. No máximo, insinuações oposicionistas de que o atendimento teria sido tardio – ainda que se possa imaginar o escândalo que seria fabricado caso o prisioneiro tivesse sido alimentado à força.

Mesmo não havendo qualquer evidência de que a morte do dissidente, lamentada pelo próprio presidente Raúl Castro, tenha sido provocada por ação do Estado, os principais meios e agências noticiosas lançaram-se contra Cuba com a faca na boca. Logo a seguir o Parlamento Europeu e o governo norte-americano ameaçaram o país com novas sanções econômicas.

Indústria do martírio
Outro oposicionista, Guilherme Fariñas, com biografia na qual se combinam muitos atos criminosos e alguma militância anticomunista, aproveitou o momento de comoção para também declarar-se em jejum. Apareceu esquálido em fotos que rodaram o mundo, protestando contra a situação nos presídios cubanos e reivindicando a libertação de eventuais presos políticos. Rapidamente se transformou em figura de proa da indústria do martírio mobilizada pelos inimigos da revolução cubana a cada tanto.

O governo ofereceu-lhe licença para emigrar a Espanha e lá se recuperar, mas Fariñas, que não está preso e faz sua greve de fome em casa, recusou a oferta. Seus apoiadores, cientes de que a constituição cubana determina plena liberdade individual para se fazer ou não determinado tratamento médico, o incentivam para avançar em sacrifício, pois não será atendido pela força até que seu colapso torne imperativa a internação hospitalar. Aliás, para os propósitos oposicionistas, de que grande coisa lhes valeria Fariñas vivo?

O presidente Lula tornou público, a seu modo, desacordo com a chantagem movida contra o governo cubano. Talvez fosse outra sua atitude, mesmo que discreta, se houvesse evidência de que a situação de Zapata ou Fariñas tivesse sido provocada por ato desumano ou arbitrário de autoridades governamentais. Para ir ao mérito do problema, comparou a atitude dos dissidentes com rebelião hipotética de bandidos comuns brasileiros. Afinal, ninguém pode ser considerado inocente ou injustiçado porque assim se declara ou resolva se afirmar vítima através de gestos dramáticos.

O silêncio da mídia
Sem provas bastante concretas que um governo constitucional feriu leis internacionais, é razoável que o presidente de outro país oriente seus movimentos pela autodeterminação das nações na gestão de seus assuntos internos. O presidente brasileiro agiu com essa mesma cautela em relação a Israel, país ao qual chegou no último dia 14, apesar da abundância de provas que com pro metem os sionistas com violação de direitos humanos.

Mas as palavras de Lula em relação a Cuba e seu silêncio sobre o governo israelense foram tratados de forma bastante diversa. No primeiro caso, os apóstolos da democracia ocidental não perdoaram recusa do mandatário brasileiro em se juntar à ofensiva contra Havana e em legitimar o uso dos direitos humanos como arma contra um país soberano. No segundo, aceitaram obsequiosamente o silêncio presidencial.

A bem da verdade, não foram apenas articulistas e políticos de direita que tiveram esse comportamento dúplice. Do mesmo modo agiram alguns parlamentares e blogueiros tidos como progressistas, porém temerosos de enfrentar o poderoso monopólio da mídia e ávidos por pagar o pedágio da demagogia no caminho para o sucesso, ainda que ao custo de abandonar qualquer pensamento crítico sobre os fatos em questão.

Um observador isento facilmente se daria conta que, ao contrário dos eventos em Cuba, nos quais o desfecho fatal foi produto de decisões individuais das próprias vítimas, os pertinentes a Israel correspondem a uma política deliberada por suas instituições dirigentes.

Sionismo e direitos humanos
A nação sionista é um dos países com maior número de presos políticos no mundo, cerca de onze mil detentos, incluindo crianças, a maioria sem julgamento. Mais de 800 mil palestinos foram aprisionados desde 1948. Aproximadamente 25% dos palestinos que permaneceram em territórios ocupados pelo exército israelense foram aprisionados em algum momento. As detenções atingiram também autoridades palestinas: 39 deputados e nove ministros foram seqüestrados desde junho de 2006.

Naquele país a tortura foi legitimada por uma decisão da Corte Suprema, que autorizou a utilização de “táticas dolorosas para interrogatório de presos sob custódia do governo”. Nada parecido é sequer ins inua do contra Cuba, mesmo por organizações que não guardam a mínima simpatia por seu regime político.

Mas o desrespeito aos direitos humanos não se limita ao tema carcerário, que é apenas parte da política de agressão contra o povo palestino. A resolução 181 das Nações Unidas, que criou o Estado de Israel em 1947, previa que a nova nação deteria 56% dos territórios da colonização inglesa na margem ocidental do rio Jordão, enquanto os demais 44% ficariam para a construção de um Estado do povo palestino, que antes da decisão ocupava 98% da área partilhada. O regime sionista, violador contumaz das leis e acordos internacionais, hoje controla mais de 78% do antigo mandato britânico, excluída a porção ocupada pela Jordânia.

Mais de 750 mil palestinos foram expulsos de seu país desde então. Israel demoliu número superior a 20 mil casas de cidadãos não-judeus apenas entre 1967 e 2009. Construiu, a partir de 2004, um muro com 700 q uilômetros de extensão, que isolou 160 mil famílias palestinas, colocando as mãos em 85% dos recursos hídricos das áreas que compõem a atual Autoridade Palestina.

Pelo menos seiscentos postos de verificação foram impostos pelo exército israelense dentro das cidades palestinas. Leis aprovadas pelo parlamento sionista impedem a reunificação de famílias que habitem diferentes municípios, além de estimular a criação de colônias judaicas além das fronteiras internacionalmente reconhecidas.

Dupla moral
São, essas, algumas das características que conformam o sistema sionista de apartheid, no qual os direitos de soberania do povo palestino estão circunscritos a verdadeiros bantustões, como na velha e racista África do Sul. O corolário desse cenário é uma escalada repressiva cada vez mais brutal, patrocinada como política de Estado.

Mas os principais meios de comunicação, sobre esses fatos, se calam. Também mudos ficam os líderes políticos conservadores. Nada se ouve tampouco de alguns personagens presumidamente progressistas, sempre tão céleres quando se trata de apontar o dedo acusador contra a revolução cubana.

Talvez porque direitos humanos, a essa gente de dupla moral, só provoquem indignação quando seu suposto desrespeito se volta contra vozes da civilização judaico-cristã, da democracia liberal, do livre mercado, do anticomunismo. Não foi sem razão que o presidente Lula reagiu vigorosamente contra o cinismo dos ataques ao governo de Havana.

Breno Altman é jornalista, diretor do site Opera Mundi (www.operamundi.com.br)

sábado, 19 de dezembro de 2009

'Acordo de Copenhague' não tem nem duas páginas e meia
Texto resulta de 2 anos de preparação e 2 semanas de encontro.
Documento sem valor legal é composto por 12 parágrafos.

Ricardo Muniz Do G1, em São Paulo



Era para os países assinarem cortes de gases-estufa segundo as recomendações científicas do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, explicadas em detalhes ao mundo em 2007 .

Mas o fruto de dois anos de preparativos e duas semanas de conferência foi um texto com duas páginas e meia (nem isso). Não tem as metas. Vem com algumas cifras, mas sem explicar como o dinheiro será captado e administrado.

Clique aqui para baixar o "Acordo de Copenhague" (formato .pdf, 2,3 páginas, em inglês)



Rindo de quê? Delegados aplaudem encerramento dos trabalhos em Copenhague (Foto: REUTERS/Bob Strong)

saiba mais
• 'Estou rindo para não chorar', diz Lula após reunião de líderes em Copenhague
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O texto disponível no link acima é uma declaração de intenções. Não tem efeito vinculante, mas mesmo que tivesse, não vincularia ninguém a nada muito decisivo. Os países admitem que de fato é bom evitar uma alta da temperatura em 2°C neste século, concordando com os cientistas (parágrafo 1).

Daqui a cinco anos volta-se ao debate para ver se não é ainda melhor deixar escrito que é sensato tentar impedir uma alta de 1,5°C (12º e último parágrafo). É um afago para Tuvalu e outras ilhas, que podem desaparecer sob as águas com uma alta da temperatura superior a um grau centígrado e meio.

O “detalhe” da redução das emissões a médio prazo (2020) fica para mês que vem, mais precisamente até o dia 31 de janeiro. Os países deverão providenciar "informações nacionais" (o “nacionais” é para ressaltar a soberania das partes e aplacar a ira chinesa) contando para a ONU como estão combatendo o aquecimento global - ou não. Isso está no parágrafo 4.

Objetivos de longo prazo (2050) não foram mencionados.



Força máxima, resultado pífio: Obama praticamente invadiu reunião dos Basics, grupo formado por Brasil, África do Sul, China e Índia (Foto: TOPSHOTS/AFP / Jewel Samad)

No papel não há metas, mas há menção a dinheiro (parágrafo 8). Não significa que ele vai de fato pingar, porque o texto, que não tem força legal, não explica quais mecanismos institucionais seriam responsáveis pela gestão dos recursos.

Está escrito que as nações ricas se comprometem a direcionar US$ 30 bilhões nos próximos três anos para ajudar nações pobres a lidar com as alterações climáticas.


Parágrafo 8 prevê US$ 30 bi para o período 2010 - 2012 (Foto: reprodução)
Os EUA haviam anunciado que entrariam com US$ 3,6 bilhões; o Japão, com US$ 11 bilhões; a União Europeia, com US$ 10,6 bilhões. Os US$ 4,8 bilhões que faltam hão de ser financiados por alguém.

Entre 2013 e 2020, o aporte seria elevado para US$ 100 bilhões por ano.